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Notícia · Mercado e Associação

Provedores regionais respondem por 55,5% dos acessos de banda larga fixa, aponta Anatel

Relatório do 3º trimestre de 2026 confirma o papel dos pequenos provedores na competição: o grupo reúne 55,5% dos acessos, enquanto a fibra chega a 46,92 milhões de conexões.

Publicado em 21/10/2026 · atualizado em 21/10/2026 4 min de leitura
Ilustração do artigo: Provedores regionais respondem por 55,5% dos acessos de banda larga fixa, aponta Anatel

A Anatel divulgou em 20 de outubro de 2026 o Relatório de Monitoramento da Competição referente ao terceiro trimestre. Os dados confirmam o peso dos provedores regionais na banda larga fixa brasileira: o grupo chamado de “Outros”, que reúne a grande massa de pequenos provedores, responde por 55,5% dos acessos do país.

O relatório não cria uma nova obrigação nem altera regras para o setor. Sua importância está no diagnóstico: a própria agência reconhece que as Prestadoras de Pequeno Porte (PPPs) e os provedores regionais exercem um papel decisivo na expansão da fibra e na desconcentração do mercado.

O retrato da banda larga fixa

A banda larga fixa encerrou o trimestre com 57,9 milhões de acessos, segundo dados preliminares da Anatel. Desse total, 46,92 milhões utilizam fibra óptica — eram 43,23 milhões no mesmo período de 2025.

A fibra continua avançando enquanto as tecnologias mais antigas perdem espaço. Em um ano:

  • os acessos por fibra óptica passaram de 43,23 milhões para 46,92 milhões;
  • o cabo coaxial recuou de 8,16 milhões para 7,51 milhões;
  • o rádio caiu para 1,80 milhão de acessos;
  • o cabo metálico diminuiu para 550 mil acessos;
  • o satélite, impulsionado pelas constelações de baixa órbita, cresceu de 670 mil para 1,10 milhão de conexões.

Os números mostram que a fibra permanece como a principal base da competição na banda larga fixa. Ao mesmo tempo, o crescimento do satélite merece atenção, principalmente nos municípios menores e nas áreas onde a construção de redes terrestres é mais difícil.

A força dos provedores regionais

O grupo “Outros”, composto principalmente por pequenos provedores regionais, alcançou 56,2% do mercado no trimestre anterior e aparece com 55,5% no terceiro trimestre de 2026. A própria Anatel alerta que essa pequena diferença pode decorrer de dados ainda não informados por empresas de menor porte, e não necessariamente de perda real de participação.

O mercado é pulverizado: existem cerca de 20 mil empresas com outorga. Por isso, atrasos ou falhas no envio das informações de acesso podem reduzir artificialmente a participação dos pequenos provedores nas estatísticas oficiais.

Entre as PPPs apresentadas individualmente no relatório, a Brisanet aparece com 2,7% do mercado e a Giga Mais Fibra, com 2,2%. Já entre as grandes operadoras, a Claro lidera com 18,8%, enquanto a Nio, sucessora da Oi Fibra, recuou de 7,2% para 6% em um ano.

O mercado mais desconcentrado das telecomunicações

A Anatel utiliza um indicador chamado HHI para medir a concentração dos mercados. Quanto menor o índice, maior é a distribuição dos acessos entre diferentes empresas.

Na banda larga fixa, o HHI nacional ficou em 0,0650, muito abaixo do limite de 0,1500 estabelecido pela agência para 2027. Segundo o relatório, a banda larga fixa é o mercado mais desconcentrado entre os serviços de telecomunicações de interesse coletivo regulados pela Anatel.

Esse resultado está diretamente relacionado à presença das PPPs. Nos municípios médios e grandes, a sobreposição das redes de operadoras nacionais, redes neutras e provedores locais amplia as opções para o consumidor e reduz a concentração.

A realidade muda conforme o tamanho da cidade

O bom resultado nacional não significa que a competição seja igual em todo o país. O relatório identifica duas realidades:

  • nos municípios com até 30 mil habitantes, o HHI mediano fica próximo de 0,44, e a oferta costuma estar limitada a um ou dois provedores regionais de fibra;
  • nas cidades entre 30 mil e 100 mil habitantes, o índice fica em torno de 0,30;
  • nos municípios com mais de 100 mil habitantes, o índice varia entre 0,20 e 0,25, indicando maior concorrência.

Isso mostra que uma regra baseada apenas na média nacional pode ignorar diferenças importantes entre os mercados locais. Em muitos municípios pequenos, o provedor regional não é apenas mais um concorrente: é quem sustenta a oferta de fibra e leva conectividade onde a escala econômica é menor.

Por que esses dados importam para o provedor

O relatório oferece evidências oficiais para temas que a ASPRO defende junto à Anatel e ao poder público:

  • os pequenos provedores são responsáveis por mais da metade dos acessos à banda larga fixa;
  • sua atuação torna o mercado mais competitivo e amplia a escolha do consumidor;
  • municípios menores têm condições econômicas diferentes das grandes cidades;
  • obrigações regulatórias precisam considerar o porte da empresa e a realidade de cada mercado.

O próprio relatório conclui que a política regulatória deve ser segmentada, e não uniforme. Isso reforça a necessidade de regras proporcionais, que preservem a competição sem impor aos pequenos provedores custos incompatíveis com sua escala.

O que o provedor deve observar

Embora o relatório não crie novos prazos ou obrigações, ele deixa três alertas práticos:

  1. Manter atualizados os dados enviados à Anatel. Informações incompletas podem diminuir, nas estatísticas oficiais, a participação real dos provedores regionais.
  2. Analisar a concorrência local. A média nacional não substitui a avaliação por município, especialmente nas decisões de expansão da rede.
  3. Acompanhar o avanço do satélite. A fibra continua dominante, mas as conexões de baixa órbita já representam 1,10 milhão de acessos e ampliam a disputa em áreas remotas.

Mais do que registrar o crescimento do setor, o documento reconhece que os provedores regionais são parte essencial da infraestrutura e da competição na banda larga brasileira. Para a ASPRO, esses dados ajudam a transformar uma percepção conhecida pelo mercado em evidência oficial para a defesa dos pequenos e médios provedores.

Fontes oficiais:

Perguntas frequentes